Dr. Dog
Fate (2008)
Você já deve saber, mas nesse blog é difícil não apelar para o lado emocional quando o assunto é Dr. Dog. Ainda mais quando por alguns minutos nos esquecemos que este ano tem disco novo da banda e, de repente, ele cai no colo sem mais nem menos. Oficialmente, esse é o sexto disco da banda. Mas como ninguém tem o primeiro (Psychedelic Swamp), sendo impossível achá-lo para baixar, e Passed Away na verdade é uma compilação de canções inéditas de diferentes épocas, vamos contar Fate como o quarto trabalho do quinteto.
É fácil falar mal do Dr. Dog. Racionalmente, não chega a ser complicado apontar características que poderiam irritar a muitos: letras piegas, enorme influência de Beatles e Neil Young, etc. De fato, elas existem: eles nunca conseguiram boas resenhas por parte da crítica. Por outro lado, acho muito difícil alguém ouvir os três minutos e cinqüenta e nove segundos de “The Breeze”, faixa de abertura de Fate, e não sentir algo de bom dentro do coração.
Menos psicodélicos do que em outros carnavais, o Dr. Dog tem se mostrado uma banda de primeira quando o assunto é partir corações. Na verdade, tem se mostrado a banda ideal para celebrar os corações partidos, se é que isso faz algum sentido. O som está mais forte e preciso do que aquele que ouvimos em We All Belong, e Fate é a coisa mais concisa do grupo desde a obra-prima Easy Beat.
Não há do que desconfiar: fãs vão se deliciar com canções lindas como as The Band-ianas “Hang On” e “100 Years”, ou com “The Old Days”, um country rock levado por um piano cativante e bateria cavalgada. Se We All Belong apresentava influências dos primeiros discos da carreira solo de Paul McCartney (Ram e Red Rose Speedway, por exemplo), em Fate ouvimos ecos de The Band e Neil Young por todos os lados – e isso é ótimo, pode apostar.
Mas não se deixe ser levado por isso. Deixe as comparações de lado e simplesmente ouça o Dr. Dog da mesma forma com que eles fazem seus discos. Ou seja, com o coração. Pelo menos é assim que o quinteto soa pra mim: uma banda que tem muito amor pelo que faz e que sempre entrega um pacote de canções sinceras e verdadeiras. E, não tenha dúvidas, assim é Fate.
4 de jun. de 2008
♥
18 de mar. de 2008
Oh me, oh my
Dr. Dog
Passed Away (2008)
É incrível como ninguém liga pro Dr. Dog. Blogs de MP3, sites especializados em música, todos costumam deixar de lado o simples fato que eles existem. O que acho que aconteceu foi que, em algum momento, alguém importante deixou de falar deles e o efeito cascata ao contrário tomou conta. Uma pena.
Mas nós não vamos deixar de falar deles nunca. Obviamente. Aliás, o post não é pra ficar reclamando, mas sim pra falar de Passed Away, disco "novo" de uma das bandas do coração deste blog. Trata-se de um apanhado de gravações dos últimos cinco anos do Dr. Dog. A maioria das coisas é bem lo-fi, e audiófilos de plantão não devem satisfazer seus ouvidos chatos com essas 10 músicas. Uma pena.
Assim como Toothbrush, segundo álbum do grupo, Passed Away carrega o efeito "vença o lo-fi você também". Claro, as gravações não são das melhores, mas isso é só um detalhe quando estamos lidando com canções tão boas como essas. "Oh Me Oh My" começa o álbum e a característica voz aguda de Taxi entra em ação. Pra mim, ouvir isso é como estar em casa, mesmo que eu esteja no metrô, na rua ou a cinco mil quilômetros do meu verdadeiro lar. Nem o forte chiado de "I'm Standing In The Light" consegue deixá-la ruim. "A Long Time Ago" se assemelha com as faixas do We All Belong e é certamente uma das melhores do pacote. Quase um retrato perfeito do rock norte-americano do comecinho dos anos 60, "Me and My Girl" carrega aquela sensação de um filme da sessão da tarde. Enquanto isso, "Eyesing The Blues" é como um lado B dos Beatles, se eles fossem da Filadélfia.
Se há algum humor pra esse disco, com certeza é "aperto no coração". As canções são quase todas tristes e nostálgicas. É como se você, no alto dos seus 68 anos, encontrasse aquele disco de vinil empoeirado da sua adolescência, com as músicas que marcaram sua vida. É mais ou menos assim que me sinto quando ouço Passed Away. Uma preciosidade para fãs, um desafio para novos ouvintes e uma pena para aqueles que o ignorarem. E é só o volume um.