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6 de ago. de 2008

Is It The Sea?

Eu ficaria decepcionado se não pudesse ter em mãos mais um lançamento do Bonnie “Prince” Billy esse ano. Depois do bom disco ao vivo Wilding in the West e do álbum de inéditas Lie Down In The Light (um dos melhores de 2008, não há dúvidas), Will Oldham vai lançar, em breve, (mais um) LP ao vivo. Mas, antes que você comece a resmungar, dá só uma olhada no tracklist do álbum:

1. Minor Place
2. Love Comes to Me
3. Bed Is for Sleeping
4. Arise Therefore
5. Wolf Among Wolves
6. Ain't You Wealthy, Ain't You Wise?
7. Cursed Sleep
8. Molly Bawn
9. Birch Ballad
10. New Partner
11. Is It the Sea?
12. My Home Is the Sea
13. Master and Everyone


A diferença entre Is It The Sea? (gravado em 2006) e o outro álbum ao vivo de Bonnie é uma só: o que está hoje aqui pra baixar é o definitivo. Claro, faltou “I See A Darkness” e outras canções do músico, mas há coisas de todas as épocas de sua discografia, inclusive de quando ele ainda nem era chamado de Bonnie “Prince” Billy, como “Arise Therefore” e “New Partner”. Altamente indicado para fãs e um bom aperitivo para quem quer ver o show dele aqui no Brasil nesse segundo semestre.

Bonnie "Prince" Billy
Is It The Sea?
(2008)

19 de mai. de 2008

Deite no sol

Bonnie "Prince" Billy
Lie Down in the Light
(2008)

Após o lançamento de um EP de covers e um disco ao vivo, o mestre Will Oldham está de volta com Lie Down in the Light. De cara é bom dizer que este não é um trabalho lo-fi. Também não se trata de um disco solitário, uma vez que novamente Oldham tem a companhia de seu irmão Paul Oldham, do guitarrista Emmett Kelly e dos lindos vocais de Ashley Webber, que dão um toque a mais ao disco, além de várias colaborações e de instrumentos característicos da música country.

Talvez por isso, o que temos aqui é um disco muito mais country do que folk. Também talvez por isso, o álbum começa mais ensolarado do que estamos acostumados com os discos de Bonnie "Prince" Billy. “Easy Does It”, com direito a belos pianinhos e violinos, não poderia ser outra coisa senão a faixa de abertura do disco. Os violinos continuam na linda “You Reminded Me Of Something (The Glory Goes)”, cujo inspirado refrão gruda na cabeça.

“So Everyone” apresenta o estilo de composição ao qual estamos mais habituados quando o assunto é Will Oldham: é calma e tem poucos elementos. Por outro lado, é quase uma canção de George Harrison, se me permite tal comparação. Uma das mais bonitas e tristes do disco, “For Every Field There’s a Mole” tem arranjos de trombone e clarinete, além de maravilhosos backing vocals e da segunda voz de Webber.

Do meio para frente, Lie Down in the Light perde parte de sua animação, mas nem por isso deixa a beleza de lado. O clima ensolarado ainda dá as caras, como na faixa-título e em “I’ll Be Glad”, esta a última do álbum. Certamente um fator fundamental para a cara mais country que tem o disco é a produção de Mark Nevers, do Lambchop, também responsável por trabalhar em Master and Everyone, de 2003. Will Oldham continua despreocupado com o som que faz, e sua falta de pretensão é exatamente o que o torna tão bom. São doze ótimas composições, às quais eu não poderia recomendar mais.

17 de dez. de 2007

Obrigado, Bonnie

Depois de emprestar beleza ao disco de Scout Niblett e nos presentear com o EP de covers Ask Forgiveness, Will Oldham a.k.a. Bonnie “Prince” Billy fecha o ano com chave de ouro com Wai Notes. Apesar de não ser desse ano, o disco só vê a luz do dia agora, em edição limitada.

Trata-se das demos do último álbum de Bonnie, The Letting Go. Mas, na verdade, o disco foi lançado sob a alcunha de Dawn McCarthy e Bonny Billy (isso mesmo, Bonny com y e sem o “Prince”). Pra quem não sabe, Dawn McCarthy é a bela voz que o acompanha nas canções de The Letting Go e, em Wai Notes, ganha um peso maior ao sair com o nome na capa na frente do próprio Bonnie.

Wai Notes é o disco perfeito pra quem não gostou da produção redonda e limpa de The Letting Go. É extremamente lo-fi, e suas gravações cheias de chiado e com erros em determinados momentos tornam as composições, pelo menos em minha opinião, ainda mais sinceras. São dez faixas nas quais ouvimos apenas Will tocando violão e cantando, enquanto Dawn McCarthy coloca sua voz aqui e ali com maestria.

Pra mim é uma alegria poder ouvir as canções em estado bruto de um álbum que gosto muito. Há versões diferentes, tempos distintos e músicas excelentes que acabaram nem entrando no disco. Altamente recomendado para os que já estão familiarizados com a obra de Bonnie “Prince” Billy e para os que se preocupam mais com as músicas em si do que com gravações bonitinhas.

Dawn McCarthy & Bonny Billy
Wai Notes

19 de nov. de 2007

Ask Forgiveness

Juro que já tentei, mas não consigo deixar de gostar de qualquer coisa lançada pelo o Will Oldham. Ele é um dos sujeitos mais estranhos e esquisitos da música, e acho que isso é exatamente o que faz com que o lado humano seja uma das principais características de sua música. Pra mim, há um pote cheio de sinceridade em cada trabalho dele. E, você pode até discordar, mas I See a Darkness é um dos discos mais bonitos de todos os tempos.

Esse foi um bom ano para os fãs do Bonnie “Prince” Billy. Apesar de não ter lançado nenhum álbum, ele colaborou com Scout Niblett no maravilhoso This Fool Can Die Now e, agora, lança um EP de covers com oito faixas.

Ask Forgiveness EP traz releituras de artistas como Björk, Danzig, Frank Sinatra e, até mesmo, R. Kelly. Acompanhado praticamente de seu violão, nesse EP Bonnie desmanchou as canções e as reconstruiu de maneira impressionante, imprimindo sua marca em cada uma delas. A linda “I’m Loving The Street”, faixa de número cinco, é a única composta por Bonnie “Prince” Billy.

Um ouvinte desatento certamente poderia pensar que esse é o novo trabalho de Bonnie. É quase isso. As versões são simples, mas bonitas, e estão bem distantes das originais. No link para baixar o novo EP coloquei também o ótimo Daytrotter Session, com quatro faixas ao vivo. Bom pra ocupar os ouvidos até o lançamento do próximo disco cheio dele.