27/08/2008

Chop Dilla

Se você gosta de hip hop, provavelmente em algum momento da sua vida deve ter caído um disco do Madlib no seu colo. Se não, procure por aí pepitas como Shades Of Blue e Madvillainy e entenda o porquê dele ser um dos nomes mais respeitados dessa nova geração. Dil Cosby Suite é o quinto volume da série Beat Konducta e, dessa vez, a coisa é ainda mais séria. Trata-se de um tributo ao mestre J Dilla, que morreu em 2006. Ao lado do também produtor J Rocc, Madlib presta uma verdadeira homenagem a Dilla, principalmente a seu melhor trabalho, a indiscutível obra-prima Donuts.

Portanto, fãs de Dilla e Donuts irão se deliciar aqui. São 21 faixas curtinhas que apresentam um hip hop instrumental muito fino e decente, características já conhecidas dos trabalhos dos dois amigos que, inclusive, gravaram um álbum juntos (Champion Sound) sob a alcunha de Jaylib.

Beat Konducta Vol. 5: Dil Cosby Suite
é um excelente trabalho, sem dúvida um dos melhores de Madlib. Um tributo e tanto para nunca nos esquecermos do legado que Dilla deixou pra trás.

Madlib
Beat Konducta Vol. 5: Dil Cosby Suite (2008)

26/08/2008

EPs

A velocidade não tem sido um fator de extrema relevância por aqui, o que considero bastante saudável. Digo isso porque o novo disco do Mogwai, The Hawk is Howling, já vazou por aí, mas eu vou postar hoje o EP Batcat.

Mogwai
Batcat EP
(2008)

"Batcat", a primeira faixa e única tirada de The Hawk is Howling, é pesada nas guitarras, mas não pesada nos barulhos. Nem deveria ser já que os barulhos ficaram lá atrás em Young Team. "Stupid Prick Gets Chased By The Police and Loses His Slut Girlfriend" acalma na sequência e "Devil Rides" fecha em uma linda balada com o (não) vocal mas ainda assim bonito de Roky Erickson, do 13th Floor Elevators.

Eu mais do que me simpatizo com os nomes sem sentido dessas novas canções do Mogwai. Era exatamente isso o que eu esperava deles.

The Clientele
That Night, a Forest Grew EP
(2008)

Com tudo calmo, nada como 4 canções alegres do Clientele. Genuinamente alegres, vale grifar. "Retiro Park" abre That Night, a Forest Grew bem no estilo do grupo, mas com um lance de metais ensolarado como poucas vezes o grupo se mostrou. "Share the Night" chega dançante, quase um Orange Juice se não fosse a voz peculiar de Alasdair MacLean. "George Says He Has Lost His Way in This World" é de dancinha mais contida, de ver mulheres baterem seus sapatos de leve no chão. E "That Night, a Forest Grew" finaliza e formaliza os solos e riffs de guitarra como uma constante do grupo.

Eu amo o Clientele.

ps.: Não estamos tão velozes, mas com motivos. Fiquem espertos por novidades.

21/08/2008

Blue Note

O grupo da Filadélfia Harold Melvin & The Blue Notes foi um dos mais populares do soul/R&B romântico nos anos 70. O disco homônimo que posto hoje foi lançado em 1972 com o título I Miss You, nome também de sua primeira faixa, e outra capa. Desconheço a razão, mas no mesmo ano saiu a edição auto-intitulada e com a capa azul que está abaixo. Sonoramente, o lance não é a animação: o álbum é relativamente lento, com faixas mais voltadas para os emocionantes vocais de Herold Melvin e dos demais integrantes. Mas não se engane, o instrumental é rico, com orquestrações aqui e ali, e excelentes arranjos de baixo e piano elétrico.

Canções como “Yesterday I Had The Blues”, “If You Don’t Know Me By Now” e “Be For Real” são de doer o coração – se há alguma sensibilidade neste seu coraçãozinho de pedra, você vai concordar. Um sensacional LP de estréia, indispensável pra qualquer fã do gênero.

Harold Melvin & The Blue Notes
Harold Melvin & The Blue Notes
(1972)

20/08/2008

Sunrise, Sunset


Em março deste ano, o Electric Pop Group lançou pela Matinée Recordings o EP Sunrise. São quatro canções que seguem a linha de seu auto intitulado álbum de 2006 e estimulam e acalmam as mentes de quem aguarda um disco completo desses suecos.

Neste calor inf(v)ernal que anda fazendo, Sunrise consegue amenizar o desânimo que me assola. Não me irrito com a óbvia influência de [coloque aqui três bandas da Sarah Records de sua preferência], apenas contemplo sua beleza. Deixo o EP correr. Ele é curto, 15 minutos apenas. As guitarras, duas, três, brincam o tempo todo e vão preenchendo os vazios das canções. E o tempo vai passando. Nem cara de ocupado faço mais. Eu amo o formato do EP. Quatro, cinco canções que te carregam lá para cima e te jogam de volta. Daí você vai e dá o play de novo ou deita e espera o sol nascer. Uma hora ele aparece.

The Electric Pop Group
Sunrise
(2008)

19/08/2008

Três milhões de dólares

A notícia triste do dia é que o site do Muxtape está fora do ar por conta de problemas com aquela maldita associação americana que prefiro não citar o nome aqui. Até que tudo esteja resolvido, não haverá mais a nossa, obviamente. Mas tudo bem, visto que há problemas mais importantes no mundo a serem resolvidos, como o de Paul Mawhinney, sujeito que tem a maior quantidade (dois milhões e meio) de vinis do mundo, entre eles inúmeras raridades e itens de valor incalculável.

A indústria da música e a (relativamente) baixa procura por LPs fez com que Paul fechasse sua loja de discos. Ele também sofre de diabetes e está praticamente cego e, por conta da doença, tem altos gastos com medicamentos e precisa de dinheiro. Por causa disso, este simpático senhor está vendendo sua coleção por apenas três milhões de dólares. Um valor praticamente simbólico, já que, na verdade, o preço estimado pelo todo é de 50 milhões. Se eu fosse um milionário não pensaria duas vezes. Se você aprecia vinis como este blog, dá só uma olhada no vídeo abaixo e tenta não ficar com vontade de, no mínimo, entrar nesse galpão:

15/08/2008

#8

Muxtape WEAREDISABLED

1. Haruomi Hosono - Malabar Hotel... Ground Floor... Triangle Circuit On The Sea-Forest
2. Yellow Magic Orchestra - Rydeen
3. Capsule - Lucky Love
4. Yukihiro Takahashi - School Of Thought
5. Afrirampo - スートブレイコー 1
6. はっぴいえんど - 外はいい天気
7. Koji Kondo - Koopa Beach
8. Tujiko Noriko & Aoki Takamasa - Alien
9. Keichii Suzuki - Summers
10. Tenniscoats - Donna Donna

Japoneses - e somente japoneses - são os artistas escolhidos para a muxtape dessa semana. A seleção vai de mestres de trilha sonora de videogame a artistas de synthpop e IDM, passando por crooners e bandas que apresentam (sem querer) características bregas. Vai fundo.

14/08/2008

Sorry Is For You


Quem resiste a um bom (de verdade) dueto? Em Caught In The Trees, nono disco de Damien Jurado, os duetos do próprio com Jenna Conrad são de fazer ursos polares patinarem suavemente num lago congelado. Somados às guitarras que não abandonam nunca o folk de Damien e mais letras do tipo "I don't feel like ever getting well" ou "And I'm tired and unwilling to be the only one who is wrong" ou "What happens [heaven is] now/When all goes down?" etc et eternum al ad, Caught In The Trees possui algumas das músicas mais bonitas que Damien já compôs, como "Gillian Was a Horse", "Trials", "Go First", "Last Rights" e "Everything Trying". Boa noite.

Damien Jurado
Caught In The Trees
(2008)

12/08/2008

Chemical Chords

Stereolab
Chemical Chords
(2008)

Não tenho diploma para falar do Stereolab, mas gosto bastante de alguns discos lançados pela banda. Dois mil e oito é um bom ano para os amantes do grupo que, após um bom tempo sem disponibilizar um LP de estúdio (Fab Four Suture é mais coletânea do que álbum), lançará Chemical Chords em breve.

É um trabalho bem pop, não há dúvidas, fato que talvez possa desagradar alguns fãs da banda. Não a mim. Os arranjos estão pra lá de decentes, repletos de lindas harmonias de teclados (bem típicas ao Stereolab), cordas e sopros, tudo se encaixando com perfeição aos vocais doces de Laetita Sadier.

Não estamos lidando aqui com um disco que irá deixar todos de queixo caído. Não, senhor. Mas afirmo com muita tranqüilidade que este é álbum que merece ser ouvido repetidas vezes. Do meu lado, digo que sinto uma alegria quase inexplicável ao ouvir Chemical Chords, graças a seu clima ensolarado, instrumentação precisa e aquele ar refinado que só o Stereolab tem.

08/08/2008

#7

Muxtape WEAREDISABLED

1. This Heat - Sleep
2. Billy Preston - Nothing From Nothing
3. Grant Lee Buffalo - Testimony
4. The Jackson 5 - All I Do Is Think Of You
5. Tuxedomoon - Fifth Column
6. Bobby Hutcherson - Montara
7. Judee Sill - Down Where The Valleys Are Low
8. George Clinton - Pot Sharing Tots
9. Neko Case - Twist The Knife
10. Bonnie "Prince" Billy - Just To See My Holly Home

Tchau, bom fim de semana.

07/08/2008

Aflame

Arms
Kids Aflame
(2008)

Demorei para encontrar, mas aqui está Kids Aflame, disco de estréia de Todd Goldstein, um pouco mais conhecido como o vocalista do Harlem Shakes.

O som das treze canções do disco - cinco delas já lançadas ano passado no EP Shitty Little Disco - é tão familiar que fica difícil de explicar. Um pouco de Flaming Lips e de Magnetic Fields brilham aqui e ali, mas Todd não fica preso nos anos 90, ele passa por Beirut e pelo folk atual. Tudo isso dentro de canções pop e com ares de hinos vez e outra.

Kids Aflame me faz lembrar de um discão de 2001 que nunca teve seu merecido reconhecimento, o primeiro e único álbum do Lift to Experience, o The Texas-Jerusalem Crossroads. Mas se o Lift to Experience abusava de silêncios, músicas longas (o disco é duplo) e doses de bizarrice (veja a capa do disco), Todd limpa tudo isso em canções pop e diretas, mantendo o ar de melancolia e a grandeza das canções que o Lift tanto fez, mesmo que a última fique escondida atrás do lo-fi.

Não digo que daqui a sete, dez anos irei lamentar a falta de atenção dada a Kids Aflame, talvez nem eu me lembre dele, pode acontecer. Mas, por hoje, preste atenção nas canções "Kids Aflame", "Sad, Sad, Sad", "Shitty Little Disco" e "Eyeball" (e em todas as outras), elas podem fazer a diferença que um discreto guarda-chuva preto é capaz.